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Turismo espacial: quanto custa ir para o espaço? Como se candidatar?


Por muito tempo, os voos espaciais foram atividades restritas a pessoas rigidamente treinadas por agências governamentais. Isso começou a mudar com os voos espaciais turísticos, que levam civis para sentir o “gostinho” da sensação da ausência de peso e ver a curvatura da Terra, em contraste com a escuridão do espaço, por alguns instantes.

Quem foi o primeiro turista espacial?

O turismo espacial não é uma atividade tão recente — basta lembrar que, em 2001, o milionário Dennis Tito viajou à Estação Espacial Internacional a bordo de uma nave Soyuz, da Rússia. Ele passou seis dias a bordo do laboratório orbital, e se tornou o primeiro turista espacial do mundo. Só que, desde o voo dele, pouquíssimas pessoas se aventuraram em voos espaciais financiados por conta própria.

Da esquerda para a direita, Dennis Tito, o comandante Talgat Musabayev e o engenheiro de voo Yury Baturin (Imagem: Reprodução/NASA)

A boa notícia é que, hoje, há algumas formas de ir brevemente ao espaço sem precisar do treinamento e qualificações exigidos dos astronautas profissionais. A Space Adventures, por exemplo, leva seus clientes à Estação Espacial Internacional, mas não revela o preço da viagem.


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Outra opção é usar os serviços da Virgin Galactic ou da Blue Origin, empresas que têm autorização da Federal Aviation Administration (órgão que regula voos nos Estados Unidos) para voos espaciais tripulados. Ambas inaguraram seus voos suborbitais turísticos no ano passado — isso, claro, para aqueles que puderem pagar valores capazes de chegar a algumas centenas de milhares de dólares.

Como se candidatar a um voo espacial?

O processo para participar dos voos suborbitais proporcionados pelas empresas atuantes no mercado de turismo espacial hoje é relativamente simples. Em resposta a uma tentativa de contato do Canaltech, a Blue Origin respondeu que aqueles que estiverem interessados em voar a bordo do foguete New Shepard precisam preencher um formulário no site da empresa.

Formulário para reservar um assento no sistema New Shepard, da Blue Origin (Imagem: Captura de tela/Blue Origin)

O formulário exige informações como endereço, uma breve descrição sobre a pessoa interessada em voar, informações sobre alguma aventura da qual tenha participado e o que acha mais interessante no voo com o New Shepard. Além disso, é possível inserir também o ano desejado para o voo e a quantidade de assentos — mas vale lembrar que a empresa informa que o preenchimento não garante um lugar a bordo da cápsula em voos futuros.

Já a Virgin Galactic também tem um formulário próprio para aqueles que quiserem experimentar um voo suborbital. Neste caso, é necessário inserir informações como nome, telefone, endereço, profissão e data em que a pessoa estará disponível para voar com a empresa.

Alguns dos campos que devem ser preenchidos para solicitar uma reserva de voo com a Virgin Galactic (Imagem: Captura de tela/Virgin Galactic)

A Virgin Galactic destaca que o preenchimento do formulário não é uma solicitação de reserva para um voo espacial, e que aqueles que estiverem interessados no voo propriamente dito vão precisar preencher outro formulário que será enviado por e-mail, em até 24 horas.

Quanto custa ir ao espaço?

A resposta curta é “depende”, já que algumas empresas não revelam os custos exatos para viagens ao espaço suborbital, como é o caso da Blue Origin. Em 2021 a companhia realizou seu primeiro voo espacial turístico, que levou os irmãos Jeff e Mark Bezos, a aviadora Wally Funk e o jovem Oliver Daemen.

 

Na ocasião, a empresa leiloou um assento a bordo da cápsula New Shepard para aquele voo; após lances de mais de 7 mil participantes, o assento foi arrematado por US$ 28 milhões. Só que, no fim, a pessoa que venceu o leilão acabou não participando do lançamento, e seu lugar foi ocupado por Daemen.

Vale lembrar que muito provavelmente os US$ 28 milhões são muitas vezes mais o preço de um assento “regular”. Afinal, trata-se de um voo especial, e o leilão tinha como objetivo angariar fundos para uma organização sem fins lucrativos que incentiva crianças a seguir carreira nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Mais recentemente, o engenheiro de produção Victor Hespanha, de Minas Gerais, voou ao espaço suborbital com a Blue Origin. Ele conseguiu um assento no New Shepard após ser sorteado por investir em três NFTs (sigla para “non fungible token”) pelo custo de 0,25 Ethereum (uma criptomoeda), ou cerca de R$ 4 mil reais cada. O voo durou cerca de 10 minutos, e levou os tripulantes a mais de 100 km de altitude; eles puderam aproveitar alguns minutos da sensação de ausência de peso, enquanto observavam a Terra.

Já a Virgin Galactic anunciou no início do ano a retomada das vendas de ingressos para voos suborbitais por US$ 450 mil, valor equivalente a cerca de R$ 2.313.540. Durante a viagem, os tripulantes voam a bordo do avião VSS Unity, que é levado pelo VMS Eve e depois ativa seus motores, levando os turistas a cerca de 80 km de altitude para curtir alguns minutos de sensação de ausência de peso e uma vista inesquecível da Terra.

Tripulação do 1º voo turístico da Virgin Galactic (Imagem: Reprodução/Virgin Galactic)

Aqueles que estiverem interessados em se candidatar a um voo de quase 90 minutos com a empresa devem pagar um depósito antecipado de US$ 150 mil (algo próximo de R$ 771.182) para reservar um assento; o valor restante deve ser pago antes do voo.

Leia a matéria no Canaltech.

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